Newsletter do IPLA
Visualizar como página web

21 de novembro de 2023 | Nº 265

 

Frankenstein & 

Inteligência Artificial

ou do Prometeu Moderno
ao Epimeteu Pós-Moderno

"Teremos, cada vez mais, em TerraDois, que exercitar a complementariedade homem-tecnologia."

Jorge Forbes
 

Caros leitores,

Nos aproximamos da Conversação Clínica do IPLA 2023, que será realizada nos dias 01 a 03 de dezembro. O tema, como já temos trabalhado, será “Os Impactos da Inteligência Artificial na Subjetividade”. Publicamos neste número um artigo de Letícia Genesini, que apresenta os trabalhos preparatórios para a Conversação Clínica desenvolvidos pelos alunos do “Curso Fundamental - De Freud a Lacan” do Instituto da Psicanálise Lacaniana.

Boa leitura.


Nas últimas semanas acompanhamos o debate: um livro ilustrado com inteligência artificial passou de finalista do prêmio Jabuti para desclassificado. O livro em questão era uma nova edição de “Frankestein”, ilustrada por Vicente Pessôa usando o software MidJourney.

Curiosamente, a obra de Mary Shelley, cujo nome completo é "Frankestein - ou, o prometeu moderno", coloca em questão (entre outros temas) os limites do homem e da máquina, se a corporificação é o que faz o humano, e quais são os limites éticos quando a técnica passa a permitir a realização do que antes fora pura fantasia.

"Evidente que eu não teria selecionado o livro se tivesse essa informação. As ilustrações me impressionaram pela qualidade, e havia uma unidade estética entre elas. Eu não tinha como saber que foram feitas por IA", contou Eduardo Baptistão, um dos jurados em matéria publicada no portal Terra. Já André Dahmer (também jurado) disse para a mesma matéria que "veria e julgaria o livro com outros olhos sabendo tratar-se de uma obra híbrida".

Dois elementos chamam a atenção nessas falas. Primeiro, trata-se de uma obra híbrida, de uma autoria dupla, entre homem e máquina. Segundo, que nenhum aspecto da obra revelava que ela havia sido coproduzida por um algorítimo. Esses dois aspectos guardam em si a questão: quem é o humano? Ou, como colocou Jorge Forbes: "Quando as máquinas começam a fazer as tarefas humanas, podemos nos perguntar 'o que define o ser humano?'".

A relação do homem com a máquina não é nova, mas o advento da inteligência artificial traz um novo paradigma. Até a revolução industrial do século XIX as máquinas funcionavam como extensão do nosso corpo: das mãos, da visão, da audição, da capacidade de locomoção. A tecnologia digital introduz uma nova dimensão: a possibilidade de expansão da mente, da nossa capacidade de armazenamento, processamento e transmissão de informações a partir dos algoritmos., elabora o trabalho Desafios e relações da inteligência artificial na pós-modernidade, desenvolvidos por alunos do Corpo de Formação do IPLA (leia o trabalho completo no site).

Durante a história muitas funções foram substituídas pela máquina. Agora, porém, pela primeira vez, a tecnologia vem superando os humanos em áreas que julgávamos inimagináveis, como a medicina. "Médicos radiologistas foram ultrapassados em sua capacidade de ler imagens, mas isso quer dizer que o médico será substituído pela I.A.?" questiona o trabalho O que será, que será: um psicanalista ou a I.A.? (disponível no site), que completamenta "Os analistas que a sustentam poderiam ser substituídos pelas máquinas e seus softwares?".


Até mesmo o amor e a sexualidade, até hoje vistos como partes apenas do ser humano, são postos em questão: "A distância física deixou de ser um impedimento para os relacionamentos amorosos há muito tempo. Na história, diversos artifícios foram criados para extrapolar a socialização apenas baseada no limite territorial e na presença física . (…) A diversidade de aplicativos como Tinder, Badoo, Happn, Inner Circle, Replika é imensa, consequentemente, múltiplos são também os modos de obter satisfação. Seriam tentativas de busca de completude, além de uma fantasia de tamponar a falta inerente à condição humana?". 
Se pergunta o trabalho Amor nos tempos de Replika (leia no site).

"Seria a I.A. a “quarta ferida narcísica da humanidade”?" podemos debater em Inteligência Artificial: fazer-saber que pede Desejo e Responsabilidade (leia o trabalho no site).

O debate não foi selado com a desclassificação da nova edição de Frankenstein. Podemos dizer, foi uma solução tapa-buraco, uma vez que a questão dificilmente nos trará uma resposta final. O que devemos fazer é participar do debate para que possamos melhorar a qualidade de nossas dúvidas. Afinal, impasses como esse irão mais e mais se apresentar ao nosso encontro.

Por isso, o Instituto da Psicanálise Lacaniana - IPLA, reunirá Jorge Forbes, Laurent Alexandre, François Ansermet e Mayana Zatz em um debate sobre “Os Impactos da Inteligência Artificial na Subjetividade.


De 01 a 03 de dezembro Jorge Forbes, Laurent Alexandre, François Ansermet e Mayana Zatz debatem “Os Impactos da Inteligência Artificial na Subjetividade”.

A série de conferências faz parte da Conversação Clínica, um evento tradicional do Instituto da Psicanálise Lacaniana que, todos os anos promove um encontro de 3 dias, exclusivo a nossos alunos e professores, para debater com conferencistas renomados temas do contemporâneo que interessam à Psicanálise do Século XXI.

Em 2023, pela primeira vez, decidimos abrir o acesso, online, às principais conferências. Quer saber mais? Acesse o link:

QUERO SABER MAIS

Enviado por Instituto da Psicanálise Lacaniana - IPLA

Se deseja não receber mais mensagens como esta, clique aqui.