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15 de setembro de 2023 | Nº 264

 

O UMBIGO DO SONHO

COMENTÁRIOS E ESTUDOS
SOBRE O LIMITE DA INTERPRETAÇÃO

"O umbigo é o ponto em que o sonho, como Freud disse, é insondável, ou seja, o ponto onde, em suma, o sentido ou qualquer possibilidade de sentido termina."  Marcel Ritter a Lacan (1975).

 

A psicanálise inicia quando Sigmund Freud percebe que as palavras não são ditas a esmo. Elas guardam um sentido que pode ser desenredado a partir daquilo que é falado. É a clínica da interpretação. Ao seguir, porém, a verdade no que é dito — palavra puxando palavra — até onde chegamos?

Há um limite.

É sobre esse limite que indaga Michel Ritter, em 26 de janeiro de 1975, quando coloca a Lacan uma pergunta sobre o Unerkannte (o não reconhecido), termo presente nos textos de Freud. No diálogo, publicado nas Lettres de l'École freudienne, em 1976 (e agora traduzido pelo IPLA e estudado no Curso da TerraDois, conduzido por Jorge Forbes), Ritter coloca que "encontramos esse Unerkannte articulado com a questão do umbigo do sonho" — assim ficou conhecido popularmente como a pergunta sobre o Umbigo do Sonho.

Unerkannte, porém, não é o único termo que rege a pergunta de Ritter, que segue: "Falou-se esta manhã de certas palavras que começam com "Un": o Unbewusste (inconsciente), o Unheimlich (o sinistro). Isso me fez pensar no Unerkannte (não reconhecido) que encontramos em Freud, especialmente em "A Interpretação dos Sonhos", onde é traduzido erroneamente como "desconhecido", quando na verdade é o "não reconhecido"." 


 "A questão é legítima. Afinal, o próprio Sigmund Freud em seu ensaio Das Unheimliche dedica uma parte à questão gramatical do termo.", coloca Dorothee Rüdiger, na abertura de seu trabalho "UN: uma sílaba e suas questões analíticas".


"O texto se refere também ao furo, ao buraco, aos orifícios do corpo. Tema interessante na obra de Lacan." escreve Elza Macedo em seu Pot-pourri acerca do texto.

A pergunta de Ritter e a resposta de Lacan traçam também paralelos com o último texto freudiano "Análise Terminável e Interminável" — é o que mapeia, em três pontos, Letícia Genesini.

Um debate fundamental para os caminhos da Psicanálise hoje.

A Conversação Clínica do IPLA 2023, reunirá, para debater "Os Impactos da Inteligência Artificial na Subjetividade", Jorge Forbes, Laurent Alexandre e François Ansermet.

Pela primeira vez, o evento trará inscrições abertas para o público geral, que poderá acompanhar as conferências online. As incrições ainda não estão abertas, mas você pode se cadastrar para receber todas as informações.

QUERO ME CADASTRAR PARA SABER MAIS

"Chamamos de clássico aquilo que resiste ao tempo, por não se deixar apreender em qualquer interpretação classificatória. Sempre há mais Lacan do que aquilo que se pode apreender, da mesma maneira que há sempre mais Sófocles que qualquer representação de Édipo Rei, ou mais Shakespeare , ou mais Van Gogh, ou mais Drummond, ou mais Tarsila. Por isso essas pessoas não morrem, porque não há túmulo que as contenha, não há palavra que as explique. Se Foucault tinha razão ao dizer que a palavra é a morte da coisa, os clássicos são mais coisa que palavra, e por isso falamos deles sem esgotá-los." Jorge Forbes

09 de setembro marcou aniversário da morte de Lacan. Relembre o texto de Jorge Forbes "Jacques Lacan, o analista do Futuro".

 

Enviado por Instituto da Psicanálise Lacaniana - IPLA

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