Curso Intermediário: de Freud a Lacan – Sintoma na Clínica Psicanalítica 2022 21/02/2022

O Sintoma na Clínica Psicanalítica é o tema do Curso Intermediário de Formação em Psicanálise, no ano de 2022.

Sigmund Freud inaugura a escuta do inconsciente a partir do encontro com pacientes que sofriam com o sintoma histérico, expressão de um conflito e de um impasse diante do seu desejo proibido. O sintoma neurótico, fruto da  ação do recalque, é para Freud uma aliança de compromisso entre a pulsão e a  defesa.  Lido a partir da chave edípica por meio da interpretação, do ganho de sentido, o sintoma podia ser decifrado.

Jacques Lacan, ao longo de todo o seu ensino, tem a psicose como paradigma. Na clínica estrutural, os sintomas  da neurose e da psicose  são privilegiados por Lacan  sob a primazia do simbólico. Para tanto, Lacan retorna a Freud utilizando-se da ferramenta da linguística estrutural, expresso no aforisma O inconsciente é estruturado como uma linguagem. Posteriormente, no segundo momento do seu ensino, na visada do inconsciente real, segundo a qual todos deliramos, Lacan cria um entendimento e uma nova intervenção sobre o sintoma, cuja grafia passa a ser sinthoma.   Este não é mais expressão de conflito, mas diz da identidade única da pessoa, aspecto do qual ela não consegue se desvencilhar. É um ”osso duro” a suportar que pede uma solução singular frente à angústia do ser.

Em TerraDois, para utilizarmos um termo de Jorge Forbes que corresponde à pós-modernidade,  nomeação intuitiva e sensível para marcar que, exceto a semelhança geográfica, do nascimento à morte habitamos um mundo radicalmente diferente, os sintomas não são os mesmos da época de Freud. Os  novos sintomas são novas expressões do sofrimento subjetivo como modo de gozo e trazem como marca a ausência de sentido e a impossibilidade de explicação. Têm como característica o “curto-circuito da palavra”, resistem à associação livre e à interpretação. Marcam a passagem do “Freud explica” para o “Freud implica”. A responsabilidade passa a ser o novo orientador clínico.  É um  convite para que a pessoa em análise, diante  da estranheza do “sou eu” invente uma solução e uma forma de se articular no mundo.

O programa do curso está dividido em quatro módulos: Nos dois primeiros será estudado o  paradigma freudiano da neurose – histeria e neurose obsessiva – , no terceiro, o paradigma da psicose em Lacan e, no quarto módulo, os  novos sintomas e a clínica do Real.

Forma de Organização

A cada bimestre Jorge Forbes fará uma aula de abertura, às segundas-feiras. O corpo de formação do curso intermediário terá excepcionalmente nesta semana inaugural do módulo a aula na segunda-feira, juntamente com os participantes do Curso Fundamental e Online.

A dinâmica de trabalho se dará em aulas semanais expositivas, híbridas – presencial e on-line – seguidas de discussão.

Cada semestre será encerrado com a produção de um trabalho realizado pelos alunos, ocasião para melhor apreensão dos conceitos estudados e esclarecimento de dúvidas.

Programa

Curso 1: A histeria

121/02Aula Inaugural de Jorge Forbes
208/03Anna O. e a cena primária da psicanálise (Charcot/hipnose/a escuta do ICS)
315/03Estudos sobre a histeria: caso Katarina (etiologia da histeria/ angústia/associação livre)
422/03Os sonhos e o sintoma: o caso Dora
529/03Dora na releitura de J. Lacan e o discurso da histérica (Intervenção sobre a transferência)
605/04A histeria masculina: uma neurose demoníaca do sec. XVII
712/04Psicanálise e genética: caso: “As joias indiscretas de Soraia” – Clínica de Psicanálise do Genoma – USP
819/04A nova histérica: “Epidemia de Medeias”
926/04O gozo feminino: “A/ mulher não existe”

Bibliografia de Referência:

2. FREUD, Sigmund. (1925). Um estudo autobiográfico, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol XX.

3. FREUD, Sigmund. (1893 – 1895). Estudos sobre a histeria, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol II.  

4. FREUD, Sigmund. (1905). Fragmento da análise de um caso de histeria, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.VII.

5. LACAN, Jacques. (1951). Intervenção sobre a transferência, in Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

_______, Jacques. Seminário 17, O avesso da psicanálise. Cap. VI – O mestre castrado. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

6. FREUD, Sigmund. (1923). Uma neurose demoníaca do século XVII, in: Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.XIX.

7. Apresentação de relato de um Caso da Clínica de Psicanálise do Centro de Pesquisa do Genoma Humano – USP.

8. FORBES, Jorge. (2002). Epidemia de Medeias – Novos modos de desorientação pulsional. http://www.projetopsicanalise.com.br/br/artigos/epidemia-de-medeias.html

9. FORBES, Jorge. (1996). A mulher e o analista fora da civilização. https://www.jorgeforbes.com.br/br/artigos/mulher-analista-fora-da-civilizacao.html

Curso 2: Neurose Obsessiva

102/05Aula Inaugural de Jorge Forbes
210/05O Homem dos Ratos
317/05O obsessivo, o pai e a morte
424/05Os impasses amorosos do obsessivo: sonhos e delírios de Gradiva
531/05O mito individual do neurótico
607/06O obsessivo e o desejo
714/06Um caso de fobia: o pequeno Hans e o pai
821/06O caso José: “ridículas palavras recalcadas”
928/06Apresentação dos trabalhos do semestre

Bibliografia de Referência:

2. FREUD, Sigmund. (1909). Notas sobre um caso de neurose obsessiva (O homem dos ratos), in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.X.

3. FREUD, Sigmund. (1916). Um paralelo mitológico com uma obsessão visual, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.XIV.

4. FREUD, Sigmund. (1907). Delírios e sonhos na Gradiva de Jensen, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.IX.

5. LACAN, Jacques. (1953). O mito individual do neurótico. Zahar, 2008.

6. LACAN, Jacques.(1957-1958). Seminário 5: As formações do inconsciente. Cap. XXIII – O obsessivo e seu desejo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1958/1998.

7. FREUD, Sigmund. (1909). Análise de uma fobia em um menino de cinco anos, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.X.

8. FORBES. Jorge. (1996). Ridículas palavras recalcadas.
https://www.jorgeforbes.com.br/br/artigos/ridiculas-palavras-recalcadas.html

Curso 3: A Psicose

101/08Aula Inaugural de Jorge Forbes
209/08O caso Schreber
316/08A transferência no tratamento das psicoses
423/08História de uma neurose infantil: o homem dos lobos
530/08Um crime paranoico: o caso Aimée
606/09As “Psicoses Ordinárias”
713/09O diagnóstico das psicoses na perspectiva da psiquiatria e da psicanálise
820/09Secretariar o alienado: o Caso Marcário – Clínica Psicanálise do Genoma – USP
927/09Caso “Nefessíntese”: clinicando as Psicoses na clínica do Real

Bibliografia de Referência:

2. FREUD, Sigmund(1911). Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia, in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.XII.

3. FREUD, Sigmund(1923).Neurose e Psicose. , in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol.XIX.

4. FREUD, Sigmund(1917 – 1920).História de uma neurose infantil: O homem dos lobos.  in: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol. XVII.

5. LACAN, Jacques. O caso “Aimée” ou a paranoia de autopunição. Parte II, in. Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade. Editora Forense Universitária. 2ªedição. 2011.

6. MILLER, J-A. As psicoses ordinárias – A Conversação de Antibes. (2012) Editora: Scriptum.

7. FORBES. J. (1988). Entrevistas preliminares e função diagnóstica nas neuroses e nas psicoses. http://www.jorgeforbes.com.br/br/artigos/entrevistas-preliminares-funcao-diagnostica.html

Curso 4: Os Novos Sintomas

103/10Aula Inaugural de Jorge Forbes
211/10Os novos sintomas e o curto-circuito da palavra
318/10Da drogadição à invenção responsável: caso “Narizinho” – Genoma
425/10A clínica do Real e seus bisturis
501/11Emprestando consequência: o caso “Não tenho a menor ideia”
608/11A felicidade, o entusiasmo e os finais de análise
722/11Prévia dos trabalhos Conversação 2022
829/11Aula de Encerramento de Jorge Forbes
02 a 04/12Conversação Clínica 2022

Bibliografia de Referência

2. FORBES, Jorge. (2005). Provocações Psicanalíticas I – As possibilidades da Psicanálise. http://www.jorgeforbes.com.br/br/artigos/provocacoes-psicanaliticas-1.html

4. MACEDO, Elza. (2014). A clínica do real e seus bisturis.  https://ipla.com.br/editorias/acontece/a-clinica-do-real-e-seus-bisturis.html

5. FORBES. Jorge. (2009). Não tenho a menor ideia. http://www.projetoanalise.com.br/index.php?id=574

6. FORBES. Jorge. (2009). Felicidade não é bem que se mereça. http://jorgeforbes.com.br/br/artigos/felicidade-nao-e-bem-que-se-mereca-versao-completa.html